sábado, 5 de fevereiro de 2011

NARCISO E SEU AUTO - RETRATO ! AFINAL...QUEM SOU EU?!


Detesto me descrever...Sempre acho que por mais que se tente dar um tom honesto ao falarmos de nossos defeitos e , por que não, qualidades, acabamos “ puxando a brasa pra nossa sardinha”! É natural, fazemos sem sentir. Mas o fato é que toda vez que alguém nos pede para falarmos de nós mesmos, procuramos disfarçar, falando de nossas virtudes , como se defeitos fossem!
Tal qual Narciso à beira do lago, a imagem que vemos refletida nos remete mais ao “Príncipe” que ao “Sapo”.
Quer um exemplo? Que tal :
-- Meu pior defeito é acreditar demais nas pessoas !
Ou ainda :
-- Um defeito... Meu ?!! Bem, deixe ver...ah, sim, eu tenho um péssimo defeito ...
Nesse momento, você acha que a pessoa vai te fazer a grande revelação de sua vida, colocar pra fora o que há de pior e mais íntimo em seu ser, aquilo que esconde de si própria...Seria quase que uma catarse... Talvez até te agradeça por proporcionar a ela tamanha alegria ! Mas, ao invés disso, vem a revelação bombástica:
-- Sim, devo confessar que tenho sérios problemas por ser... muito bom”!!
Você , incrédulo, pergunta:
-- Como? O que disse ?
E o alienado repete:
-- Sou bom demais!!! Tão bom que chego a ser otário, a maior parte das vezes !
Tem ainda aquele que diz :
-- Meu maior defeito é a maldita da honestidade !!???
Você, estupefato:
-- HÔ?!
-- Isso mesmo : Meu senso de honestidade é tão profundo, que chega a me prejudicar!! Se fosse sacana, malandro, vivesse de expedientes... aí, sim, as pessoas me dariam valor!!
Mas fazer o quê? Tenho esse defeito: sou honesto demais. Por mais que eu tente, não consigo mudar”!
Aí, vc tenta instigar um pouco e pergunta: -
-- Mas e qualidades? Não as tem ?
Ela, então, como se não entendesse a ironia:
-- CLARO!!! Todos têm qualidades, até eu mesmo “
Tadinha, pensa você, auto- estima tão baixa – rsrsrs
E lá vem ela com mais uma pérola:
-- Sabe o que é ? Eu não gosto de ficar me elogiando. Num sei...acho que fica meio chato, cabotino, sei lá... !
Nessa hora, você usa de malícia e responde tudo o que ela está querendo ouvir para continuar:
-- Nada a ver, se não soubermos reconhecer o que é mau e bom em nós, como iremos eliminar um e aprimorar o outro?
Isto era tudo que ela queria ouvir para poder continuar a falar de si mesma :
-- Vendo por esse lado, sou obrigado a concordar !
Aí, num "esforço" sobre-humano, conclui:
-- Huum....deixe-me ver...talvez, sinceridade... modéstia?
Fala em tom de pergunta , como se quisesse sua aprovação!!
FALA SÉRIOOO... !!
Portanto, sempre que me pedem para me descrever, digo:
“Considero-me um ser, uma criatura do bem “ !
Acho que tudo o mais está implícito nisso, tanto as qualidades, quanto os defeitos, variando o conceito de indivíduo para indivíduo!!
Note que eu digo “SER” e/ou “CRIATURA”, já que em todas as espécies há espécimes do bem e do mal!!

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